Auteurs Sogoth

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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Ao se atirar do monte...


São os estranhos que entram em sua vida sem pedir permissão que sempre ajudarão a mudá-la. São os gestos sinceros daqueles desprovidos de maldade que movem as montanhas e tempestades para longe. Por eras me perguntei o porquê de pessoas assim sempre parecerem estar tão longe. Eu encontrei a resposta nos olhos de uma pequenina e hoje digo com convicção que esta resposta é simples. Elas não estão. Estão ao nosso redor, esperando por um sorriso convidativo, estão à espreita, deslizando às vezes em direção ao vazio por entre palavras mal faladas, e entre um olhar e outro, elas se vão, deixando um rastro forte para ser seguido.
Nós humanos somos as criaturas mais complicadas do mundo. Queremos sempre amar alguém que não seja nós mesmos, talvez por não encontrarmos em nós algo que possamos ver como bom, como estupendo. Os pequenos milagres viraram o trivial e as pessoas se transmutaram em caixas, tubos, bolas, comidas, entretenimento, compra e venda. O erro deve estar em algum lugar entre o ver e o sentir, mesmo que a distancia seja irrisória, acreditamos existir uma barreira maior que todos os nossos sonhos e isso nos impede de sorrir e desejar bom dia a quem nunca vimos e talvez, pela falta desse "bom dia" nunca mais veremos. Aquele que passou e não mais passará poderia ser o professor de piano das terças e quintas feiras, e aquela jovem seria sua esposa em curtos três anos. Nós trancamos as portas, temos medo. Nas escolas já ensinam os princípios de como montar uma bomba atômica, mas não ensinam como nos relacionar de forma a amar a nós mesmos e aos que não conhecemos. Falta algo no mundo que poderia ter um cheiro mais doce e um brilho suave, como as manhãs de primavera. Não perdi as esperanças, pelo contrário, eu as renovo todos os dias. Então digo apenas "bom dia", mesmo que nunca mais nos encontremos, ver um sorriso amigo é capaz de salvar a minha vida e quem sabe a sua e a sua e a sua...

Conhecimento secreto



Diziam os antigos, e seus contemporâneos, possuidores da verdade, ou aquilo que acreditam ser a verdade, os seguidores de Hermes, o Três Vezes Grande, que o conhecimento da verdade, dos sete princípios herméticos contidos no livro Caibalion, deveriam ser guardados, sendo mostrados apenas para aqueles que estivessem preparados para entendê-los e assim praticá-los. O que me remonta a Sócrates e outros grandes pensadores que desacreditavam a idéia de se ter instaurado um sistema de aprendizado para as massas, para eles aqueles interessados deveriam chegar até os focos de conhecimento por suas próprias pernas. Não é estranho, se pararmos para pensar um pouco sobre essa postura desses intelectuais, darmos razão aos mesmos. Vislumbramos um mundo de alta tecnologia, de conhecimento vasto que, nos modelos acadêmicos atuais, se torna dinâmico e se reciclando de forma veloz, sendo usado para fins construtivos e destrutivos. As guerras podem ser travadas sem custos humanos gigantescos para aqueles que dominam a tecnologia bélica, assim como os cuidados com a saúde resultando no prolongamento da vida humana. O "saber" se torna uma ferramenta que parece tentar anular seus benefícios, ao mesmo tempo em que dá ao homem uma pretensa maior qualidade de vida, dá a ele melhores ferramentas para subjugar outros homens. Seu poder torna-se divino, detendo-se aos poucos que sabem como controlar e como manter tal poder.
Os seguidores de Hermes Trimegisto acreditam que proteger este vasto conhecimento, passado a eles praticamente intacto através dos milênios sob forte discrição, é uma forma de manter o conhecimento em sua forma mais pura. As religiões, em sua maioria, teriam origem no Caibalion, porém ao impregnarem os sete princípios de dogmas e mitos, mesclando contos de fadas à princípios altamente ricos de veracidade, a força da verdadeira sabedoria foi transformada, ocasionando ainda mais preconceitos e guerras infinitas por uma verdade simples, orientada pelos sete princípios de Hermes, a razão de cada uma se tornou a hipocrisia de todas selando o futuro da humanidade.
As três primeiras partes do documentário recém lançado Zeitgiest desconstroem brilhantemente as religiões embasadas em messias, dando como origem, à primeira vista, de grande parte das religiões como no Egito antigo, dos mesmos tempos em que se acredita ter vivido Hermes. Os argumentos apresentados em Zeitgiest são mais que convincentes, porém nunca surtiriam efeito naqueles que possuem cravados no coração os dogmas de uma religião. A religião se torna indiscutível para os fieis, pois ela se embasa em mitos que não fazem muito sentido quando não condicionados a uma gama de verdades traduzidas como códigos morais que possuem total razão de ser, talvez, como dizem os herméticos, por conterem criptografadas em seus contos fantásticos os princípios herméticos e por isso mesmo sejam tão convergentes em pontos chaves no que diz respeito à moral humana. É uma questão perturbadora quando se estuda as bases das principais religiões e se compara aos sete princípios herméticos, indubitavelmente mais velhos que qualquer religião hoje existente e sobrevivente as armadilhas do mundo moderno.
Talvez o essencial não seja trazer respostas novas a perguntas antigas e já respondidas pelos fiéis das grandes religiões, mas sim provocar dúvidas que, bem provavelmente, serão entendidas como provações para a fé de cada um, o que inexoravelmente reforçará a idéia de que apenas aqueles depreendidos de valores embutidos em religião e os que estão abertos para escutar podem ter direito a aprender e praticar os princípios de Hermes, o Três Vezes Grande, quer sejam reais, ou mera fantasia.



Links
Para entender brevemente os sete principios de Hermes: http://www.misteriosantigos.com/hermetic.htm

Documentário Zeitgeist: http://www.youtube.com/watch?v=CZ8naJjapek