Ao se atirar do monte...

São os estranhos que entram em sua vida sem pedir permissão que sempre ajudarão a mudá-la. São os gestos sinceros daqueles desprovidos de maldade que movem as montanhas e tempestades para longe. Por eras me perguntei o porquê de pessoas assim sempre parecerem estar tão longe. Eu encontrei a resposta nos olhos de uma pequenina e hoje digo com convicção que esta resposta é simples. Elas não estão. Estão ao nosso redor, esperando por um sorriso convidativo, estão à espreita, deslizando às vezes em direção ao vazio por entre palavras mal faladas, e entre um olhar e outro, elas se vão, deixando um rastro forte para ser seguido.
Nós humanos somos as criaturas mais complicadas do mundo. Queremos sempre amar alguém que não seja nós mesmos, talvez por não encontrarmos em nós algo que possamos ver como bom, como estupendo. Os pequenos milagres viraram o trivial e as pessoas se transmutaram em caixas, tubos, bolas, comidas, entretenimento, compra e venda. O erro deve estar em algum lugar entre o ver e o sentir, mesmo que a distancia seja irrisória, acreditamos existir uma barreira maior que todos os nossos sonhos e isso nos impede de sorrir e desejar bom dia a quem nunca vimos e talvez, pela falta desse "bom dia" nunca mais veremos. Aquele que passou e não mais passará poderia ser o professor de piano das terças e quintas feiras, e aquela jovem seria sua esposa em curtos três anos. Nós trancamos as portas, temos medo. Nas escolas já ensinam os princípios de como montar uma bomba atômica, mas não ensinam como nos relacionar de forma a amar a nós mesmos e aos que não conhecemos. Falta algo no mundo que poderia ter um cheiro mais doce e um brilho suave, como as manhãs de primavera. Não perdi as esperanças, pelo contrário, eu as renovo todos os dias. Então digo apenas "bom dia", mesmo que nunca mais nos encontremos, ver um sorriso amigo é capaz de salvar a minha vida e quem sabe a sua e a sua e a sua...

